Sempre quis ser uma pessoa boa. A gente vê tanta maldade no mundo, tanto egoísmo e crueldade. Eu quero exercitar a bondade.
Eu sempre quis ser uma pessoa boa. Quando era criança, adorava aqueles adolescentes que não eram chatinhos. Não tratavam a gente como pirralho, só como pessoas mais novas. Eu torcia para me tornar uma destes quando fosse minha vez.
Eu sempre tentei ser boa. Eu era menina e jogava bola. Nem todos os meninos gostavam disso. Não queriam que eu jogasse, falavam todo tipo de besteira. Eu me segurava para não revidar, só jogava e rezava para isso não me transformar numa mulher rancorosa.
Minha mãe até me chamou de Madre Teresa, várias vezes. Eu sempre meio trouxa. Ela dava risada. Eu ficava indignada com as coisas da escola, do mundo, whatever. Eu só queria ser boa.
Nas empresas em que trabalhei já fui chamada de bobinha como colega, de ingênua como subordinada e de mãezona como chefe. Gente, eu só quero ser boa!
Só quero ser uma pessoa boa. Preciso de bondade na minha rotina e ela começa comigo. Preciso de pitadas de bondade no meu dia-a-dia, então aplico por aí.
Ou tento, claro. É claro que não é sempre que consigo. A gente é gente, ser humano, serumaninho, bicho falho e tudo aquilo.
Independente disso, a bondade acaba. E é super chato. Não sei lidar com a bondade acabada.
Calma, people. Não estou falando acabada de largar toda esta conversa e sair ligando o foda-se por aí. Não desisto não.
O que estou pensando aqui com os meus botões, é que toda bondade minha acaba quando começa o outro.
No momento que faço algo bom, de coração, ela existe. Ela parte de mim e precisa chegar no coração do outro. Quando o coração do outro está aberto e num momento bom também, a coisa toda é linda! É mágica! Bondade fluindo. Disso eu gosto muito! :-)
Só que as vezes, o outro não está preparado para receber. Naquele momento, naquele lugar ou até naquela encarnação. Tem gente que só cultiva e enxerga o mal. Em tudo e todos. O mundo está tão cheio de coisa xarope, e tem gente que só foca nisso. Sendo assim, a bondade acaba. Ela acaba quando encontra isso aí.
Voltando ao exemplo. Faço algo bom, de coração, para o outro. Chega lá e o cara, ou mina, tá num dia ruim. Sei lá, tá ruminando umas coisas, esperando o mal, se protegendo de alguma forma. Como ele recebe isso? Mal. Vira maldade. Quando chega nele, quando bate daquele lado da cerca, a bondade acaba.
É isso que estou pensando aqui. As vezes eu faço umas coisas e me pergunto porque não florescem. Ou, levo umas broncas que não fazem sentido para mim, não assimilo mesmo. Mas, agora aqui meus botões e eu pensamos isso. Não adianta fazer o bem e esperar que as pessoas reconheçam. Temos que só fazer o bem pelo puro ato de fazer o bem mesmo.
Este mundo cheio de coisa chata precisa de mais bondade. Continuo na batalha, tentando fazer a minha parte. Sei que falho, mas o foco não muda. O que acho que ficou mais claro e nítido agora é que sempre corro o risco da outra pessoa receber como maldade, independente de mim. Tenho que lembrar que nem todos estão dispostos a se abrir para as coisas boas. Nem todos estão preparados. Nem todos acreditam. Nem todos acham que vale a pena.
Isso é coisa deles. Eu? Eu vou continuar, falhando e tentando. Bora! :-)
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