Em algum momento você se sentiu preso por pensar demais? Exemplifique.
No momento não, mas sim, isso já aconteceu. Durante meus “anos universitários” eu vivia numa prisão e construí ela pensando demais. Isso foi uma reação às cosias que aconteceram nos anos anteriores, durante o ensino médio.
De qualquer forma, naquela época, eu não enxergava que pensava demais. Pensava em tudo. Planejava tudo. Calculava tudo. De certa forma, manipulava tudo. Eu sempre precisava estar um passo a frente de tudo e todos. Eu precisava entender, precisava ganhar, precisava dominar, precisava vencer. Na época, eu era cega a tudo isso.
Um exemplo concreto é que eu treinava como ia contar histórias antes de contar elas aos amigos. Se eu saia para fazer algo, tinha algum tipo de viagem, aventura, qualquer coisa mesmo, eu ficava repassando versões e versões na minha cabeça, até chegar numa forma de contar que me parecia forte o suficiente, elaborada o suficiente, boa o suficiente.
Hoje eu enxergo que tudo era muita insegurança e ansiedade. Viví 100% aquela velha ilusão de que se pode controlar tudo. Na verdade eu não controlava nada. Minha frieza, distância, clareza eram na verdade exclusão, repulsa, rejeição, fuga. Eu não estava no controle de nada. Estava quase tendo um surto. Isso sim.
O que você tem feito para conhecer suas próprias emoções e refletir sobre si mesmo?
Tentado sentir meu corpo, prestar atenção aos sinais viscerais, às trocas de energias, e à linguagem corporal daqueles que me rodeiam e/ou estão participando das situações.
Também tendo refletir e lembrar o que me fez bem ou mal, quem me fez bem ou mal.
Por último, e este é o que tenho feito menos do que deveria, meditar. Tive fases de conseguir meditar todos os dias, toda semana. As vezes meditava 5 minutos, as vezes 10, as vezes 20 ou até mesmo 1 hora inteira. Ultimamente não tenho feito nada disso. Tem sido bem raro. Preciso praticar mais.
Quais as coisas mais importantes para você?
Hoje me parece que família, paz, adquirir conhecimento/bagagem, amar, ser amada, praticar a arte de ouvir o outro, praticar mais empatia.