quarta-feira, 28 de agosto de 2019

Me perguntam


Me perguntam onde eu moro.
Moro onde estiver minha mochila.

Me perguntam onde eu vivo.
Vivo onde estiverem as pessoas que estão vivendo também.

Me perguntam onde me recarrego.
Me recarrego nas energias que encontro na natureza, nos abraços, nas risadas, e nas conquistas.

Me perguntam onde eu trabalho.
Mais do que tudo, trabalho em mim. Sou um projeto que demanda constante readaptação.

Me perguntam por onde ando.
Ando por qualquer lugar que me leve mais próximo à luz, à paz, e ao amor.

Me perguntam se sinto saudade.
Muita. Demais. De todo mundo. De todos os lugares. De todas as comidas. E as vezes de mim mesma.

Me perguntam se não quero parar.
Quero. Quero parar sim. Quero parar de julgar, parar de me cobrar, parar de me meter, parar de me sabotar.

Me perguntam de onde vem essa leveza.
Que leveza? As coisas às vezes são pesadas, como são para todos.
Dias bons e ruíns, fáceis e difíceis, leves e pesados.
O charme é ir aperfeiçoando a arte de navegar tudo isso com graça. Tô longe.

Me perguntam até quando vai assim.
Não sei. Por enquanto só quero que continue indo.

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