sábado, 9 de setembro de 2017

Ateu?

Ateu eu?

Pior que sim, já fui.

Hoje vejo pessoas sem fé e fico me perguntando se eu era igual, se eu era assim.

Fui criada numa família sem tradições religiosas fortes. Eu e meu irmão tivemos uma educação totalmente secular e nunca fomos incentivados, muito menos obrigados, a seguir e/ou cumprir qualquer tipo de doutrina ou religião.

Por razões culturais, quando mudamos para os EUA (Eu tinha 15 anos), minha mãe e eu escolhemos uma igreja para frequentar. Na região que morávamos, todos frequentavam uma igreja, então nós termos uma era meio que necessário.

Escolhemos a Metodista. Gostamos do pastor e do grupo de jovens. Fora isso, era um ambiente descontraído e poucos compromissos ao longo da semana. Até aí, ok.

Porém, quanto mais morei naquela região e mais fui bombardeada com as mensagens de Deus e da Bíblia, menos cristã eu me sentia.

Alguns me diziam que brancos não podiam namorar negros ou latinos, porque Deus disse e/ou mandou. Outros diziam que o certo era frequentar a igreja e participar dos eventos da mesma, independente de como se age no dia-a-dia.

Quando aconteceu todo aquele terror no dia 11 de setembro, eu estava no High School (Ensino médio) e na minha aula sobre o governo, meus colegas falaram sobre como ser cristão era tão bom, uma religião de amor, não de ódio nem terror, etc.

QUE?? Como assim, gente?

Nada daquilo fazia sentido. O cristianismo prega amor sim, ok. Mas o soldado americano cristão que mata alguém na guerra é de alguma forma melhor que o jovem revoltado muçulmano? Eles diziam que claro que sim, pois muçulmanos são terroristas, a religião prega terror e violência.

QUE??

Mais ou menos nesta época, passei a me considerar ateu. Religião deixa as pessoas doidas. Era o que eu pensava e ponto. Porém, por razões culturais e até de comunidade, continuei frequentando a igreja metodista. Eu adorava. No meu íntimo, eu acho que eu sabia que quando falava "ateu", não era bem isso que eu queria dizer.

Me mudei para ir à faculdade. Na outra cidade, a igreja metodista era menos acolhedora. Gostei menos. Porém, me aproximei de um grupo de Mormons que eu adorei e logo comecei a frequentar a igreja com eles. Isso durou uns 02 anos. Acabei saindo por não me identificar com a constante separação entre homens e mulheres. Não sei se vale para todos os Mormons, mas esta igreja trata isso como se fôssemos espécies diferentes e eu acho que homens e mulheres têm mais coisas em comum do que diferente.

Saindo do roteiro Mormon, caí numas ideias Taoistas, estas coisas de energias, fluxos do universo, etc. Isso me pareceu mais aberto e fez mais sentido. Um amigo que já havia sido monge Bahai me ensinou a meditar e pirei! Meditar era o máximo. Passei a me considerar agnóstica com tendências Taoistas. Isso até saber mais do Budismo e amar a brincadeira toda! Mas, mesmo assim, as vezes surgiam coisas que me faziam me sentir estranha.

Me formei e me mudei para NY. Lá conheci pessoas da religião Quacker (Não sei se existe no Brasil) melhor. Eu havia conhecido gente deste grupo antes, mas não fiquei próxima. Em NY, fiquei bem amiga deste pessoal. Não cheguei a frequentar nada com eles, mas acabei ouvindo bastante, aprendendo bastante e até estudei um pouco por conta própria. Uma coisa de liberdade, de igualdade, etc. Parecia legal, mas, na real, como toda religião, tinha gente que era desta e falava da mesma como a resposta certa, como perfeita, como melhor. Ai, que saco...

Será que religião é sinônimo de complexo de superioridade??

Eu sabia que não. Ao longo dos anos conheci muita gente que era puro amor. Frequentavam esta ou aquela igreja, e conseguiam de fato manifestar os valores pregados com atitudes. Conseguiam agir com paz e amor. Este povo eu curtia, independente da religião.

Saindo de NY, voltei ao Brasil. Um país "católico".

QUE??

Brasileiros falam de Deus e dos Santos, porém a elite está cada vez menos generosa com os pobres e diversos valores Católicos estão completamente perdidos. Só que, no Brasil, não se fala de igreja e religião tão facilmente. Não é algo que se pergunta para todos, a qualquer momento, então, blz. Posso ser ateu (Atéia?) e ninguém precisa saber ou falar disso. Ufa...

Só que, no meu íntimo, a busca continuava! Que coisa, minha gente!

Enfim, por razões de umas crises e dificuldades, busquei um Centro Espírita. Foi o lugar, de todos estes, onde me senti mais acolhida e confortável. Nenhum centro onde fui me cobrou, jamais, a frequência contínua. Nem se arrumam com as melhores roupas. Nem tem um líder só. Tudo é muito relax e democrático.

A mensagem diz que temos que aceitar nosso momento de evolução (Evolução da nossa alma) e aprender tudo que pudermos com esta vida. Se estamos aqui, é porque escolhemos isso, esta história e esta vida para evoluir de alguma forma. Isso eu topo! Isso eu aceito. Me parece legal e verdadeiro.

Reencarnação? Vários mundos e planetas? Cartas enviadas pelos espíritos? Isso eu já não sei. Gosto das palestras. Gosto da energia zen e social. Gosto do passe. Gosto do silêncio. Gosto do desafio de buscar as lições do Deus Criador no dia-a-dia.

O principal? Quando me perguntam, não digo mais que sou ateu. Digo que frequento o centro espírita.

Sou espírita? Tenho fé no espiritismo? Não. Eu frequento o centro espírita. É onde busco dicas, amigos, paz. É onde oro e faço contato com algo maior.

Hoje tenho fé. Tenho amor. Tenho mais consciência de que existe alguma coisa dentro de mim que é maior que toda esta conversa que rola por aí afora.

Hoje vejo a palavra ateu de forma diferente.

Talvez ateu não seja sem fé, mas só sem religião, e as duas coisas são bem diferentes.

Fé e amor a gente consegue ter a qualquer momento, em qualquer lugar, e são universais. Qualquer ser humano no mundo, independente de onde esteja, pode ter e praticar fé e amor.

Religião demanda um local, uma comunidade, um livro, uma roupa, um rito, um processo, e pode chegar a atrair uma séries de outras coisas mais que facilmente levam a alma humana a se perder nas informações e esquecer o principal: Fé e amor.

Não me stresso mais com o assunto. Não me incomodo mais com religiões. Medito com frequência e busco sempre manter minha fé e meu amor a flor da pele, a frente da minha mente, preparados para me guiar e atuar. Falho muito, bem mais do que eu gostaria, mas foco na busca, no caminho, no aprendizado, e na prática contínua.

Ateu? Não sei.

Espírita? Não sei.

Tenho fé. Acredito no amor.

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