quarta-feira, 20 de junho de 2018

Mais funk, menos brincadeira

A quantidade de gente no meu Face que critica funk é inversamente proporcional à quantidade de pessoas que estão criticando estes moleques que fizeram o vídeozinho babaca na Rússia.

Ou seja, o que incomoda não são os palavrões, nem as danças, nem o desrespeito às mulheres que rola no funk?

O que seria, então? Pobreza?
Ser lembrado que nosso país tem miséria?
O pobre em si? Se retratando como menos submisso, como guerreiro, como vitorioso?

O que muita gente parece não entender, ou não ligar:
O funkeiro faz a música dele, o povo dança, o morro continua igual, a vida segue.

Estes moleques aí?
Considerando onde estão?
Considerando o poder aquisitivo que isso demonstra?

Vão ser advogados, juízes, delegados, médicos, e políticos.
Vão tomar decisões que afetam a vida e saúde da população, das mulheres, e das crianças.

Mas... São brancos, são bem de vida.
São meninos se divertindo, ...
É uma brincadeira, ...

Brincadeira é o fato de que criticamos tanto as massas sem perceber o quanto passamos a mão na cabeça de quem pode, que é de onde vem o exemplo e a permissão.

Enquanto os mais fracos forem criticados e culpados pela cultura que é claramente criada e perpetuada pelos mais fortes, a merda só continua.

E as mulheres enquanto isso? Nos dois mundos, continuam sendo vítima de violência e assédio todos os dias.

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