quinta-feira, 1 de agosto de 2019

de libertários ao bem coletivo

Nada justifica nenhuma agressão contra outro ser não agressor, e nada justifica violar a propriedade de alguém que não violou a propriedade de outro... Hoje vejo que a existência do estado deturpa nossas noções de propriedade e de tomada de decisões, além de deturpar muitas causas e consequências e isso acaba atrapalhando nossa evolução para uma sociedade menos injusta.

Um ser rico e o outro pobre não é injustiça se esses simplesmente nasceram assim. E mesmo que você considere que é, não há culpado por isso, então não há como exigir que alguém financie o pobre pra mudar de situação. O mesmo para homem e mulher, não faz sentido obrigar que alguém contrate um numero tal de mulheres... Ou pague um salário x... Isso deve acontecer culturalmente. E o pior de tudo, não faz sentido uma pessoa não poder andar na rua com uma metralhadora. Mulheres e homossexuais com metralhadoras dificilmente são agredidos ou estuprados.

A sociedade menos injusta é uma na qual não se exige nada, não se obrigada nada, não se garante nada, e cada um cuida da sua segurança pessoal com uma metralhadora?

Bem, se você não quiser cuidar da sua segurança, pode pagar alguém pra fazer isso. Por exemplo, eu não sou expert em tecnologia da informação, então contrato um serviço de segurança online pra fazer parte do serviço pra mim.

Agora, achar que outros são obrigados a dividir o custo do serviço que você deseja pra diminuir o custo unitário forçadamente não faz o menor sentido. Seria dizer que sua vontade é superior a vontade alheia

Então a resposta é sim? Na sua concepção, este modelo é menos injusto do que todas as formas de estado e autoridade que tivemos ao longo da história?

Então não precisamos evoluir, só regredir. Já fomos assim. Éramos assim. O que muda é só dinheiro e tecnologia, mas a ideia de cada um por si e de olho por olho já foi concreta e fez parte do caminho que nos trouxe aqui.

como você vê essa situação? direito positivo é absurdo, ele assume que pessoas são superiores a outras

O que é direito positivo?

A maioria dos que temos hoje. Um direito que só pode existir se outra pessoa o fizer, ou seja, implica na obrigação de outro fazer algo para alguém.

Olhando desta forma, parece que a sua crença é de que ficamos cada vez menos justos ao tentar organizar, unificar, igualizar, etc.

Organizar não! Unificar sim, e igualizar pior ainda.

A diversidade é o fator crucial da evolução! E cada vez mais a sociedade teima em suprimi-la

Lembre se, eu não luto contra a luta pela diminuição da desigualdade. Eu luto contra a obrigação da luta pela desigualdade feita de uma única forma por uma única instituição.

(eu na verdade libertários)

Libertário não acha bom ter gente morrendo de fome. Não é o que queremos. Quem quer isso é um governo democrático, pois quem tem fome não tem pensamento crítico, e vende seu voto por uma caixa de leite...

E para um enriquecer não é necessário que outro empobreça. Mas para o estado enriquecer ou crescer é.

Como isso funciona em relação à próxima geração? Como o filho do “morto de fome” de hoje tem acesso às oportunidades para que ele não se torne pura e simplesmente outro “morto de fome” amanhã?

Se fosse morto de fome, não teria filho... Mas esse é um dos problemas. Uma pessoa miserável é livre pra ter filhos, mas ninguém é obrigado a financiar o filho dela por causa da irresponsabilidade de procriar sem nem poder alimentar. Hoje, funciona um pouco assim, e a população de pessoas miseráveis tende a aumentar quando recebem assistência sem nenhuma contrapartida. Isso é um problemão. Mas é bom para os governos, dão só o suficiente pra essas pessoas sobreviverem e ficarem reféns do estado. A questão é isso gera um feedback de incentivos para um ciclo completamente destrutivo, que só aumenta ou pelo menos sustenta o nível de miséria...

Porque é irresponsável ter filhos? Se não existem exigências, nem obrigações, e é cada um por si, eu faço o que eu quiser. A quem cabe o julgamento de que é irresponsável?

O erro lógico veio dessa sua fala. Exatamente, não há exigências. Então o esfomeado terá um filho, o filho vai morrer em pouco tempo, e cada vez menos haverá pessoas sem condições de ter filhos tendo filhos.

Assim as coisas começam a caminhar melhor

A pessoa paga pelos seus atos, ter filho sem ter condições tem como consequência a morte deste

Os mortos de fome morrem de fato, enquanto vários têm mais do que precisam, e isso é caminhar melhor.

Entendo a lógica, porém ela toca profundamente em vários dos meus valores. O bem coletivo sendo o principal dele.

Qual é o objetivo da vida, então? Minha vida, meu conforto, minhas conquistas, meu mundo ser bom ao meu ver, até que um dia eu morro?

Gosto da coletividade. Me faz bem abrir mão de certas coisas por ela. Gosto de fazer parte do todo, de algo. Gosto de participar, de aprender, de errar, de trocar.

Acredito que a desordem faz parte de tudo isso, afinal o ser humano, em sua essência, não é ordenado. Critico as coisas não por rebeldia, mas para fazer parte dos diálogos que constroem as próximas possibilidades, as próximas tentativas.

Uhm, ok. Defina "bem estar coletivo".

Depende do grupo em questão, depende do momento. Parto do princípio que o ser humano é variável, mutável, instável, plural, capaz de sempre ser algo diferente, demandando constante introspecções e diálogos. Logo, “bem estar coletivo” é algo não-absoluto que pode ser redefinido a qualquer momento. Ninguém se conhece bem o suficiente para sempre saber de fato o que quer e/ou precisa, logo, o coletivo terá sempre também esta limitação.

Na minha vida especificamente, no meu contexto atual, me preocupar com o “bem estar coletivo” reflete em sempre estar aberta a ouvir e aprender, ter respeito por aquilo que é diferente de mim (pois eu posso ser a errada ou com ideias piores), doar meu tempo, doar meus conhecimentos, ter somente o que eu preciso, ser produtiva, e entender que às vezes serei prejudicada assim como às vezes certamente prejudico outros.

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